Quando o Brasileirão termina em maio com 9 clubes brigando pelo título, é torneio. Quando termina em novembro com 3 brigando, é evidência de que algo estruturalmente quebrou.
O 3 a 1 do Flamengo sobre o Palmeiras foi um espetáculo. Como ex-jogador, fico feliz que partidas assim ainda aconteçam. Como observador do esporte, sei que essa não é a regra — é a exceção que sustenta a ilusão.
A diferença de orçamento entre o top 4 e o resto do campeonato passou de R$ 600 milhões nesta temporada. Em qualquer outro país, essa conta produz liga fechada. No Brasil, ainda fingimos que produz competição.
Não é culpa do Flamengo. Não é culpa do Palmeiras. É culpa de quem dirige a CBF e os clubes médios, que aceitaram, por inércia, um modelo que vai sufocar metade do calendário esportivo em cinco anos. A pergunta para os dirigentes é simples: vão reagir antes ou depois de o problema virar irreversível?




