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O streaming brasileiro descobriu o Brasil — agora precisa descobrir o brasileiro

As plataformas finalmente investem em produção nacional. Mas o que estão produzindo ainda é o Brasil que os executivos imaginam, não o que o público vive.

Por Luiza Mendonça, Inteirado - Rio de Janeiro

Em 13/05/2026 às 06h19 · Atualizado há 2 dias

Controle remoto e TV com plataformas de streaming

Há um detalhe revelador nas séries brasileiras de maior orçamento dos últimos dois anos: todas se passam, de alguma forma, em um Brasil estilizado. Favela com fotografia de filme de Cannes. Sertão com paleta de cor de catálogo de roupas.

Não é falta de talento — é excesso de receio. Quem decide o que vai para o ar está mais preocupado em agradar o gosto internacional do que em narrar a vida nacional. O resultado é uma estética que parece o Brasil visto por um turista cuidadoso.

O contraste com a internet é gritante. No TikTok, no YouTube, em podcasts de baixíssimo orçamento, o Brasil real aparece sem edição: a piada que só funciona com referência local, a gíria que muda de bairro pra bairro, o som ambiente que não foi tratado em pós-produção.

Se o streaming quer durar no Brasil, precisa parar de produzir para premiações estrangeiras e começar a produzir para uma sala de estar em Sorocaba. É lá que a assinatura é paga.

Luiza Mendonça
Luiza Mendonça

Crítica cultural e roteirista. Escreve sobre o que o cinema, a televisão e a internet revelam sobre o Brasil — e o que escondem.

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