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Economia

A Selic em 14,25% não é cautela — é exaustão

O comunicado do Copom desta semana foi lido como conservador. Eu leio como algo mais grave: o Banco Central não sabe mais o que fazer.

Por Roberto Vasquez, Inteirado - São Paulo

Em 14/05/2026 às 08h42 · Atualizado há 1 dia

Painel de bolsa de valores com gráficos financeiros

Quem leu o comunicado do Copom procurando sinais de corte está olhando para o documento errado. O que importa não está no texto — está no que o texto evita dizer.

Há três reuniões consecutivas o BC repete que o cenário inflacionário 'segue desafiador'. Tradução do economês: estamos vendo a mesma coisa que vocês, e ela não está melhorando como prevíamos. A diferença entre cautela e exaustão é exatamente essa: a cautela tem plano, a exaustão tem reza.

Manter a Selic em 14,25% por mais um trimestre custa, em juros, mais do que o orçamento anual da Saúde. É um preço civilizatório. E o silêncio do governo sobre essa conta é, no mínimo, suspeito.

Não defendo um corte imprudente. Defendo que digamos, com todas as letras, o que está em cima da mesa: política fiscal solta + política monetária dura é uma equação que sempre, em todo lugar, termina mal. A pergunta que precisa ser feita não é 'quando o BC corta?'. É 'quando o Planalto reconhece que faz parte do problema?'.

Roberto Vasquez
Roberto Vasquez

Economista-chefe formado pela FGV, com passagem pelo Banco Central. Em sua coluna, traduz política monetária e indicadores macroeconômicos para quem não vive de planilhas.

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